Pessoas mais jovens preferem bancos digitais a bancos tradicionais

Os bancos digitais são os favoritos de milhares de brasileiros e ganham novos adeptos todos os dias. As fintechs foram as precursoras do movimento de digitalização dos bancos, que trouxe mais praticidade e comodidade para o dia a dia de seus clientes. Com grandes benefícios que os diferenciam de bancos tradicionais, pesquisas apontam para uma maior participação dos mais jovens.

O movimento de digitalização das instituições financeiras foi impulsionado na última década. Um dos maiores agentes desse processo são as fintechs, isto é, as empresas financeiras digitais, que buscam trazer soluções financeiras através da implementação da tecnologia. Grande parte dessas startups são os bancos digitais, que ocupam uma fatia maior do mercado financeiro a cada dia que passa.

Uma pesquisa realizada pela empresa alemã Mambu, que reúne dados de todo o mundo, aponta que a maioria das pessoas jovens, de 18 a 35 anos, preferem os bancos digitais. No Brasil, cerca de 54% dos cidadãos dessa faixa etária utilizam os bancos digitais como seu principal banco, contra 46% que ainda optam pelos bancos tradicionais.

Outro dado relevante evidenciado pela pesquisa é que as pessoas que preferem os bancos tradicionais também utilizam os bancos digitais em seu dia a dia. Cerca de 73% dos brasileiros que participaram da pesquisa e que declararam um banco tradicional como sua principal agência financeira declararam que fazem transações regularmente em suas contas digitais.

O estudo alemão salienta que o Brasil é um grande destaque na digitalização de bancos e possui um mercado atrativo para o desenvolvimento dessas tecnologias. Apesar disso, dados consolidados de toda a América Latina não acompanham esse perfil, onde 83% das pessoas preferem ter um banco tradicional como seu principal banco.

Outro detalhe interessante apresentado pelo levantamento é sobre o crescimento de usuários de baixa renda. Esse grupo de pessoas marginalizadas sempre foi mais afetado pela desbancarização. Entretanto, os bancos digitais têm se consolidado como uma alternativa de inserção desse grupo ao mundo financeiro. Atualmente, no Brasil, a taxa de jovens desbancarizados é de apenas 12%, enquanto a taxa latino-americana para o grupo é de 45%. A Mambu aponta que 61% dos jovens brasileiros mais carentes utilizam os bancos digitais como seus principais bancos.

Além de o mercado ser bastante dinâmico, com inovações tecnológicas a todo momento, um fator que proporcionou a ampla adesão de todas as classes sociais são os baixos custos. O grande diferencial apresentado pelos bancos digitais em suas divulgações é a inexistência de tarifas de manutenção das contas e os cartões de crédito sem a cobrança de anuidade. Essa característica, promovida em conjunto da capacidade de atender as necessidades dos clientes, pavimentou o cenário de bancarização das pessoas mais novas, sobretudo dos grupos socioeconômicos mais baixos.

Entretanto, esse não é o único atrativo das contas digitais. As pessoas entrevistadas pela empresa apontam outras características interessantes, como o processo simplificado para a abertura de conta, maior facilidade nas transações e possibilidade de realizá-las através do celular, outros fatores relevantes que levaram a escolher as contas digitais.

Uma pesquisa realizada pelo Ipec aponta que os jovens mais ricos também costumam preferir os bancos digitais. Apesar disso, os motivos apresentados pelo instituto são outros: há uma tendência de adoração às inovações tecnológicas. Apesar disso, a facilidade em utilizar os serviços financeiros através de um celular também aparece como um dos destaques.

De acordo com o Ipec, 91% das pessoas entre 24 e 34 anos das classes sociais mais elevadas possuem contas em instituições financeiras sem agências físicas. Já a taxa de idosos que utilizam os serviços de bancos digitais é menor, atingindo apenas 44%. Ao juntar os dados de todas as faixas etárias, das classes A e B, o número de pessoas que utilizam os bancos digitais fica em torno de 79%.

A pesquisa brasileira contou com a entrevista de mil pessoas, pertencentes às classes mais ricas, e, para 75% delas, os bancos digitais oferecem serviços a um custo mais justo que os bancos tradicionais, contando com um leque maior de vantagens.

Dos entrevistados pelo instituto brasileiro, 63% das pessoas mais jovens afirmaram que não veem distinção entre os serviços disponibilizados pelos bancos tradicionais e pelos bancos digitais. Reunindo dados de todas as idades, o número de pessoas que afirmaram não ver diferença foi de 57%.

Alguns bancos digitais contam com iniciativas de inserir pessoas menores de idade ao seu leque de clientes, inclusive recém-nascidos. Essa pode ser uma maneira de os responsáveis realizarem investimentos em nome dos pequenos e separarem os valores de suas contas pessoais, para evitar confusão.

Entretanto, já o caso de crianças maiores, como pré-adolescentes e adolescentes, é diferente. Esse grupo já sabe utilizar cartões, realiza transações bancárias como Pix e faz recargas de celular, por exemplo.
A proposta dos bancos digitais é investir na inclusão das pessoas dessas faixas etárias agora para recolher os ganhos no futuro. Essa estratégia possui um grande potencial de crescimento, onde as instituições e suas contas digitais podem servir como porta de entrada ao mundo financeiro, moldando seus serviços de educação financeira para a idade e conquistando um cliente fiel, que pode amadurecer junto da instituição.